A 5ª Reunião da Câmara Temática do Projeto da Sociobiodiversidade do Pinhão na Serra Catarinense reuniu, no dia 11 de setembro de 2025 no Auditório do Mercado Público em Lages, com representantes das instituições de pesquisa, extensão, organizações parceiras e entidades ligadas ao desenvolvimento regional. Participaram da reunião representantes da Epagri, UFSC, Udesc, Cisama, IMA, Associação Vianei, Cooperativa Ecoserra, Fortaleza do pinhão do movimento Slow Food e Alesc, entre outras organizações que integram a Câmara Temática.
Um dos principais pontos da pauta foi a apresentação do Estudo Socioeconômico do Pinhão, conduzido pela CEPA/Epagri. A proposta busca ampliar o conhecimento sobre a produção e a comercialização do pinhão em Santa Catarina, além de contribuir para a formulação de estratégias mais alinhadas à realidade do setor. Durante a reunião, também foi apresentada a estrutura de uma pesquisa que deverá ser desenvolvida entre 2026 e 2027, com o objetivo de caracterizar e monitorar o sistema alimentar sustentável do pinhão no Estado. O município de Painel recebeu destaque nesse processo, por sua relevância na produção nacional.
Outro momento importante do encontro foi a apresentação de estudos voltados à caracterização e produtividade de recursos florestais associados à conservação da araucária. As pesquisas mostraram que o sistema do pinhão apresenta grande diversidade e não pode ser compreendido de forma homogênea. Entre os dados apresentados, foram identificadas 76 espécies arbóreas, sendo 3 ameaçadas e 15 endêmicas, o que reforça a importância ambiental e estratégica desse ecossistema. Também foram destacados estudos sobre outras espécies com potencial de geração de renda para as famílias, como erva-mate, cataia e espinheira-santa.
A reunião também avançou nas discussões do Projeto do Roteiro da Sociobiodiversidade do Pinhão, especialmente no eixo voltado aos estudos de mercado para o pinhão e as frutas nativas. Entre os pontos levantados, estiveram a necessidade de equipamentos para descasque, estrutura de armazenamento, adequação à legislação, além de processos de rotulagem e certificação. A apresentação apontou ainda o potencial da farinha de pinhão e o crescimento de oportunidades ligadas a mercados específicos, como o de produtos sem glúten.
Como encaminhamento, foram indicados três circuitos com potencial para ampliar a comercialização: restaurantes e bares, sistemas de compra coletiva e mercados institucionais. Na atualização das atividades da meta 1 do projeto, foi informado que cerca de 50 a 55 planos de manejo já estão em andamento. O trabalho envolve não apenas o extrativismo do pinhão, mas também outras cadeias ligadas à sociobiodiversidade, como as frutas nativas, a bracatinga e a produção pecuária.
Também foram destacadas ações de capacitação para trabalho em altura, tema tratado como prioridade diante dos riscos envolvidos na colheita do pinhão. A discussão reforçou a importância de ampliar investimentos em equipamentos e condições adequadas para garantir mais segurança aos trabalhadores. Além dos debates técnicos, a reunião abordou pautas relacionadas ao pagamento por serviços ambientais, à articulação com políticas públicas e à continuidade do projeto com foco no desenvolvimento territorial.
Ao final do encontro, ficou definida a realização do Encontro Territorial para a conferência estadual de desenvolvimento rural, marcado para o dia 29 de outubro, às 14h, no IFSC.
A reunião reforçou o papel da Câmara Temática como espaço de articulação entre instituições, pesquisa, produtores e organizações do território, contribuindo para o avanço de iniciativas que unem conservação ambiental, geração de renda e desenvolvimento sustentável na Serra Catarinense.




