A Oficina de Boas Práticas de Comercialização do SAT Pinhão na Serra Catarinense traça caminhos para fortalecer a cadeia produtiva
No último dia 15 de abril, o município de Painel e região sediou a 1ª Oficina de Boas Práticas de Comercialização, um encontro estratégico conduzido pelo pesquisador e doutorando Sérgio Marian (UDESC/FAED/PPGPLAN), com apoio das pesquisadoras e pós-doutorandas Julia Goetten Wagner (UFSC/PGA) e Cintia Hoffer da Rocha (UDESC/FAED/PPGPLAN), com a supervisão do prof. Dr. Oscar Rover e da Profa. Dra. Paola Rebollar (UFSC/PGA). Reunindo diversos atores locais, a iniciativa teve como propósito central realizar um mapeamento das fortalezas e fragilidades do Sistema Agrícola Tradicional- SAT Pinhão. Por meio de um diálogo participativo, a oficina funcionou como um diagnóstico do território, estimulando a construção conjunta de soluções para os desafios do setor, com foco na construção de ações para cada etapa da cadeia produtiva, desde a colheita até a mesa dos consumidores.
O primeiro eixo das discussões focou na Produção e Colheita, destacando a forte base sociocultural e ecológica da região, que atua na conservação da araucária e na manutenção da sociobiodiversidade. Ficou evidenciado que a Serra Catarinense possui uma vasta diversidade de produtos, incluindo o pinhão e frutas nativas como butiá, araçá e guabiroba. No entanto, os produtores debateram fragilidades que ainda precisam de atenção, como a forte sazonalidade, a falta de mão de obra, pinheiros velhos com baixa produtividade e a necessidade de repensar a forma de colheita viabilizando a obtenção de equipamentos para reduzir riscos.
Para contornar esses gargalos produtivos, o debate sobre Industrialização e Processamento apontou a agregação de valor como um caminho essencial. Transformar o produto in natura em derivados, farinhas, doces e polpas de frutas, não apenas aumenta a durabilidade do alimento, como também evidencia o saber fazer das mulheres do campo e eleva a margem de lucro das famílias. Apesar dos desafios impostos pelo alto custo de equipamentos e pelas complexas exigências sanitárias, a oficina reforçou a importância da união comunitária, sugerindo a criação de cozinhas compartilhadas, associações e o fortalecimento das agroindústrias familiares para viabilizar essa transformação.
No que diz respeito aos Canais de Comercialização, os participantes destacaram a boa aceitação do pinhão no mercado local e sua expansão para outros mercados, até mesmo internacional. As oportunidades mapeadas incluem a venda direta para o setor de gastronomia e turismo (pousadas e restaurantes locais) e a comercialização em feiras. Para que esses canais funcionem plenamente, os participantes ressaltaram que os extrativistas precisam superar a falta de organização, devem atuar de forma conectada, superando obstáculos logísticos, baixo preço recebido e garantir regularidade nas entregas.
Por fim, o olhar voltou-se ao Consumidor final, o foco de toda essa cadeia produtiva quando se trabalha com o intuído de vendas. O diagnóstico apontou que há um interesse crescente por produtos regionais, sustentáveis e que carreguem a identidade territorial da Serra Catarinense, abrindo até mesmo nichos promissores de mercado, como o de alimentos sem glúten (caso da farinha de pinhão). O desafio atual é investir em comunicação para que o público conheça melhor e valorize as frutas e os sabores nativos, garantindo que o mercado se expanda de forma equilibrada, gerando renda justa para o extrativista com mecanismos que não desvalorizem os produtos.








